11/10/2019

Agenda 2030: DIREITO À ÁGUA (ODS 6)





Maria da Glória Colucci[1]

O Planeta clama por mananciais de água limpa, potável e em quantidade suficiente à dessedentação de homens e animais.
Fatores diversos contribuem para a propalada crise hídrica que sobrecarrega regiões do País, causando secas prolongadas, alagamentos e transbordamentos de rios. O desequilíbrio daí decorrente afeta áreas urbanas, colocando em risco a saúde e a vida de populações próximas às encostas de morros ou mesmo nos centros comerciais e financeiros das cidades, acarretando prejuízos a lojistas e moradores.
A população parece acostumada a viver e sofrer com os danos ambientais gerados pela poluição de rios e lagos, contaminados por esgoto e resíduos sólidos lançados à revelia de qualquer respeito ou mínimo cuidado com o meio ambiente.
A começar da falta de saneamento básico e da displicência de muitos habitantes citadinos, há crescente risco de contaminação das fontes e mananciais subterrâneos, degradação do solo e disseminação de doenças, como a leptospirose, a dengue e o zika vírus; devido a esgotos clandestinos, obstrução da rede coletora com dejetos sólidos, além da gordura lançada diretamente nos rios.[2]
No dia 22 de março se comemora o Dia Mundial da Água, cuja razão principal é chamar atenção para a urgente necessidade de proteção das bacias, dos lagos e rios; além dos oceanos e mares.
Quando o art. 225 da Carta da República de 1988 enfatiza a qualidade de vida e o ambiente ecologicamente equilibrado, está consagrando o direito à água potável como um dos elementares componentes da saúde de todos os seres vivos, a começar dos humanos.[3]
Durante longo tempo a natureza social e ambiental do progresso foi ignorada pela sociedade, não se educando as gerações para o fato de que o crescimento econômico deve ser paralelo ao desenvolvimento sustentável dos recursos humanos e naturais; o que se tem denominado de “capital natural”.
O “direito ao desenvolvimento” é erigido à condição de fundamento dos esforços comuns em defesa da natureza, com responsabilidade. Neste contexto, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, Agenda 2030) incluiram a necessidade de: “Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos “(ODS 6).[4]
Na Declaração do Rio de Janeiro (1992), no Enunciado 15º, se conclamou a todos os povos a procederem com precaução, bem como prevenindo eventuais danos à Natureza. Em apertada síntese comparativa, no referente às águas, se exige redobrada precaução e crescente prevenção.[5]
A precaução deve ser praticada com base na existência de dúvida sobre eventuais prejuízos ao meio ambiente. Assim, no caso da água, são, abertamente, conhecidos de todos os danos da contaminação dos lençóis subterrâneos, das águas fluviais, dos oceanos, rios e mares, decorrentes do uso de agrotóxicos.
Quanto à prevenção se baseia na certeza dos reflexos negativos já conhecidos da falta de saneamento básico.
Assim, dúvida, desconhecimento e desinformação justificam medidas de precaução; ao passo que certeza, conhecimento e informação impõem a prevenção.
Por fim, só há uma certeza: Temos sede!


[1] Advogada. Especialista em Filosofia do Direito (PUC-Pr). Mestre em Direito Público (UFPR). Professora aposentada da UFPr. Professora titular de Teoria do Direito (UNICURITIBA). Orientadora do Grupo de Pesquisas em Biodireito e Bioética (desde 2001) – JUS VITAE – no UNICURITIBA. Membro do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP). Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Membro da Comissão do Pacto Global (OAB-Pr). Membro da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ-Pr). Membro do Movimento Nacional ODS (ONU, Pr). Membro da Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia- AVIPAF. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do UNICURITIBA. Escritora e poetisa, com vários prêmios em textos jurídicos e poéticos.
[2] BESSA Jr. Oduvaldo. Ocupação e uso do solo. Vida e Cidadania. Gazeta do Povo, 23 de março de 2011, p.12.
[3] BRASIL. Constituição da República Federativa do. 1988, disponível em www.planalto.gov.br
[4] ONU. “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, disponível em www.nacoesunidas.org
[5] ONU. Declaração do Rio de Janeiro (ECO 92). Enunciado 15º, disponível em www.onu.org.br
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08/10/2019

Acontece no UNICURITIBA: I Congresso Internacional de Direitos Humanos do UNICURITIBA


            Entre os dias 01 e 03 de outubro, ocorreu em nossa instituição um evento muito especial, o I Congresso Internacional de Direitos Humanos do UNICURITIBA. Este, foi idealizado pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Direitos Humanos no Sistema Interamericano (GEDIH), coordenado pela Professa Doutora Karla Pinhel Ribeiro. O congresso contou com palestrantes, mediados por professores da casa, em doze painéis que trataram de temas relevantes sobre cidadania, meio ambiente e Direitos Humanos. Houve, ainda, a exibição de vinte e três animações da Mostra de Animação e Direitos Humanos; o lançamento do livro Reforma Trabalhista: um necessário olhar feminino; três grupos de trabalho sobre Tecnologia, Meio Ambiente e Diversidade em diálogo com os direitos humanos; e, três oficinas sobre Redes Sociais e Privacidade Digital, Direito Internacional dos Direitos Humanos e Advocacia e Direitos LGBTI.
O I Congresso Internacional de Direitos Humanos permitiu o acesso da academia e da comunidade ao conhecimento de especialistas, pesquisadores e professores, das mais variadas áreas de atuação, que compartilharam suas pesquisas em palestras e oficinas que versaram sobre questões importantes dos direitos humanos dentro da concepção de desenvolvimento sustentável, conforme o tema proposto nesta primeira edição: “Pensando as consequências da Cidadania no Meio Ambiente”.
O evento teve início com a fala de Ricardo Tadeu Marques Fonseca sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Pessoas Idosas, Acessibilidade e Educação e, na sequência, ocorreu a palestra de Marcelo Conrado e Ana Paula Ulandowski Holtz sobre Produção áudio visual, direitos humanos e novas tecnologias. Eloy Fassi Casagrande Junior e Jasafá Moreira da Cunha versaram sobre Direito, tecnologia e meio ambiente, e Sandra Regina Fergutz dos Santos Batista e a professora Heloisa Câmara falaram sobre Intolerância e convivência.
A manhã do dia 02 iniciou com as palavras da psicóloga Carolina de Souza Walger e do professor Luiz Eduardo Gunther, que discorreram sobre a exploração de mão de obra e o trabalho escravo. A acadêmica do curso de Direito, Carolina Demetrio, destacou partes importantes da fala de Walger sobre entendimento de trabalho escravo e condição análoga à escravidão — compreendidos como um trabalho forçado de jornada exaustiva e condições degradantes. A psicóloga comentou, ainda, sobre o ciclo da escravidão moderna, que está intimamente ligado à vulnerabilidade econômica e a exclusão social — como pessoas de baixa renda, desempregados e marginalizados. E, por fim, Walger enfatizou que, este, não é um tema restrito a questões trabalhistas, mas trata-se de violações de direitos humanos e precisa ser combatido pela sociedade, como um todo. O sexto painel teve a presença de Thales B. Mendonça que discorreu sobre o Direito à alimentação. E, no período da noite, o professor e doutor Conor Foley apresentou o painel sobre Human Rights Protection in the Field, seguido do painel sobre Morar com Dignidade com a presença da Defensora Pública Olenka Lins e Silva Martins Rocha e representante da TETO.
No último dia de congresso, Victor Marchezini falou sobre Mudanças Climáticas e Refugiados Ambientais, e André de Carvalho Ramos compôs o painel seguinte sobre Temas contemporâneos de direitos humanos. No início da noite, antecedendo o painel sobre Saúde mental e Direitos Humanos, com os palestrantes Marcelo Kimati e representante da AFECE, ocorreu o décimo primeiro painel que apresentou questões sobre Mulheres no mundo dos negócios, com a fala de Bruna Caixeta e representantes da embaixada da Áustria. A estudante do curso de Direito, Eduarda Beatrice Pelentier, pontuou tópicos da fala de Caixeta que lhe chamaram a atenção e foram considerados por ela essenciais à uma análise coletiva, como: “os princípios de empoderamento das mulheres; como as mulheres podem conciliar a participação do mercado no trabalho com a maternidade; como as próprias mulheres podem se ajudar nas áreas de atuação; como podemos amenizar os efeitos do machismo estrutural; a igualdade de salários entre homens e mulheres; como ter um mundo dos negócios mais justo e igualitário; e como lidar com os desafios psicológicos quando as mulheres enfrentam assédio no trabalho.[1]
            Melissa Paz Sandler, aluna do curso de Direito no UNICURITIBA, participou da oficina de Direito Internacional e sua relação com os direitos humanos, e da oficina de advocacia, referente aos Direitos da Mulher e LGBTQIA+. Para Sandler, a experiência foi extremamente gratificante.

O grupo debateu com profissionais qualificadas de ambas as áreas, com a Bruna Singh, ministrante da conversa sobre direito internacional, e a advogada Mariana Paris, que discursou sobre a advocacia para minorias e conteúdos como: a influência das transnacionais e o trabalho escravo no mundo globalizado; a diferença entre gênero, identidade e orientação sexual; como o órgão estatal pode influenciar diretamente na eficácia da aplicação dos direitos humanos; além de temas relacionados à corte interamericana de direitos do indivíduo; e o poder dos países ditos desenvolvidos sobre aqueles que estão em desenvolvimento.[2]

            Tanto Demetrio, Sandler e Palentier destacaram a importância de eventos como o I Congresso Internacional de Direitos Humanos para o debate e promoção reflexiva de questões fundamentais ao desenvolvimento humano. Melissa enfatizou que o diálogo proporcionado nas oficinas e as discussões apresentadas nas palestras “mantêm uma dinâmica entre os alunos que incentivam a criação de ideias e possíveis soluções para problemáticas atuais, ademais os direitos humanos devem ser a base de qualquer política de estado, sendo protegidos pela constituição nas cláusulas pétreas, que demonstram sua importância para o ser humano”[3]. E, Eduarda complementou, salientando que questões essenciais ao viver estão inseridas nos direitos humanos, como o direito à moradia, saúde, liberdade, educação e igualdade de gênero. E, tais direitos, só são possíveis de serem assegurados pois vivermos em um Estado Democrático de Direito[4].


[1] Eduarda Beatrice Pelentier, estudante do curso de Direito do UNICURITIBA, em entrevista ao UNICURITIBA Fala Direito.
[2] Melissa Paz Sandler, estudante do curso de Direito do UNICURITIBA, em entrevista ao UNICURITIBA Fala Direito.
[3] SANDLER, 2019.
[4] PALENTIER, 2019.

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06/10/2019

Agenda 2030: Youth Action Hub e as ações dos jovens pelo desenvolvimento sustentável










Por Giovanna Maciel



          Sempre postamos aqui no Blog sobre a Agenda 2030 – aquele conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Mas, você sabia que existem jovens curitibanos super engajados em colaborar para a efetiva aplicação mudança global? 

          Trata-se do Youth Action Hub – Brasil, ou YAH-BR, instalado como “projeto piloto brasileiro” na capital paranaense. Atualmente, além do YAH Curitiba, são mais de 30 outros Hubs espalhados pelo mundo como: Equador, República Dominicana, Holanda, Estados Unidos, Namíbia, Austrália, Itália, Japão, Gâmbia, Trinidad e Tobago, Tanzânia, Reino Unido e Nigéria, sem contar com a mais nova sede brasileira, no Rio de Janeiro.

          Em outubro de 2018, jovens de vários países foram selecionados para participar de uma reunião no Fórum da Juventude, em Genebra, na Suíça, onde definiram a criação dos Hubs de Ação Juvenil, tendo como princípio norteador “para a juventude, pela juventude”. Isso porque, conforme a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), criadora do movimento, os jovens podem desempenhar um importante papel na implementação da Agenda 2030, capacitando uns aos outros globalmente e expressando diversos pontos de vista sobre assuntos dentro do mandato da UNCTAD, além de permitir ações locais nas comunidades.

Dentre estes jovens, estava Mateus Falasco, acadêmico de Direito do UNICURITIBA, escolhido para representar a Delegação Brasileira e convidado para coordenar o YAH no Brasil. Porém, no momento, ele fazia um intercâmbio da Universidade de Lisboa, promovido pela parceria entre Universidade e o Centro Universitário Curitiba e, inclusive, pretendia transferir o curso para lá.

          Para o aluno, era uma oportunidade que nunca tinha passado na sua cabeça e, em suas palavras, “mostrou-se como um momento de escolha fatal: voltar ao Brasil e fazer algo pela juventude ou continuar em Lisboa comendo Pastel de Belém?”. 

Bom, Falasco abraçou a oportunidade e, mesmo sem saber se daria conta (por estar em ano de TCC e OAB), juntou suas forças e decidiu dedicar suas energias na iniciativa, seguindo o conselho de Richard Branson (criador do Grupo Virgin), o qual é fiel admirador: “Se alguém te oferece uma oportunidade incrível, mas você não tem certeza de que pode executar, diga sim - e depois aprenda como fazer!”. Assim, segundo ele, se tornou o que sempre havia criticado, um millennial reclamão. 

Finalizado seu intercâmbio e de volta ao lar, o projeto se iniciou em fevereiro deste ano, comportando todos os desafios típicos de um projeto piloto, como o desenvolvimento e a gestão de uma equipe, estruturação interna, criação de estratégias a curto, médio e longo prazo, prospecção de parcerias e engajamento de voluntários. 

[...] além de estar sendo uma experiência ímpar e extremamente gratificante, tem sido uma oportunidade de desenvolvimento interpessoal e profissional que eu nunca imaginaria ser capaz de experimentar, trabalhando, constantemente, habilidades como a de liderança, negociação, oratória e planejamento.  

          Como bem destaca Mateus, atualmente o YAHBR serve como referencial para todos os outros 37 Hubs, estando à frente em diversos aspectos – número de parcerias, projetos, desenvolvimento interno, boas práticas e engajamento jovem. Além disso, já promoveu diversos eventos em Curitiba, como o “Youth Action Day” (YAD) em agosto, e até fora do país, como o “Córdoba Agenda 2030”, em setembro.

Tudo isso, fruto do trabalho árduo de uma família de 30 membros incríveis, tais quais, alguns são egressos do UNICURITIBA, e aqui cabe citar a Naomi Surgita Reis (A.K.A a Maravilhosa Menina dos Resumos), Otávio Augusto e o Ruan DallaVecchia, bem como nossa vice-coordenadora, a Larissa Isadora, apaixonada por lanchos e fundadora de uma iniciativa incrível chamada “Sopão Curitiba”.  

            Não menos audacioso, o próximo grande projeto envolve nada menos do que 700 crianças. Com o objetivo de levar um pouco mais de informação sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a este público, o YAHBR pretende falar para com todas essas crianças, no dia 18/10/19, no projeto denominado de “ODSchool”! Entretanto, para que isso aconteça, será necessária à ajuda da comunidade jovem curitibana, que pode atuar como voluntária neste desafio, contando, inclusive, com capacitação fornecida pelo Hub,  a ser realizada no dia 09 e 10 de outubro.
          De acordo com o jovem de apenas 22 anos, isso é só o começo: 

Temos planos ambiciosos de dominar todo o Brasil e criar um movimento nacional pela sustentabilidade e engajamento jovem, ajudando a desenvolver os nossos futuros líderes e problem solvers que irão contribuir com a construção de um Brasil mais próspero, sustentável e inclusivo.


Não perca essa chance de fazer a diferença!


 

Para saber mais sobre o YAHBR:
Facebook: Youth Action Hub
Instagram: @yah.br <https://www.instagram.com/yah.br/>





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03/10/2019

Agenda 2030: EMPODERAMENTO DE MULHERES E MENINAS (ODS 5)




Maria da Glória Colucci[1]



Os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável -  correspondem a um projeto comum de todos os países signatários da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas. São focados nos novos desafios mundiais de transformação da sociedade, dos governos e das pessoas, em prol do alcance de seis elementos essenciais, a saber: Pessoas, Dignidade, Prosperidade, Justiça, Parcerias e Planeta.[2]

No que se refere às pessoas, pretendem as estratégias globais “assegurar vidas saudáveis, conhecimento e inclusão de mulheres e crianças”; abrangendo os ODS-3; 4 e 5; os quais procuram promover e assegurar uma vida saudável; educação inclusiva e equitativa, mas, objetivam, também, “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.[3]

Quanto às mulheres a exclusão social se processa por muitas vias, não só pelas dificuldades de inserção no mercado de trabalho, mas pelos salários inferiores que lhes são pagos, com as mesmas funções e o mesmo nível de escolarização dos homens.

Ao se examinar a questão de gênero, verifica-se que a falta de qualificação profissional precisa ser combatida desde o início, a partir da infância e adolescência, pelo acesso à educação. Assim, ao oportunizar, de forma inclusiva e equitativa, o aprendizado em todos os níveis para meninas, de igual modo que para meninos, a igualdade de gênero será promovida, com o consequente empoderamento do gênero feminino.

Não só no trabalho, mas no lar, em suas atividades rotineiras, a vulnerabilidade psicológica das mulheres propicia a construção de modelos de acomodação, exclusão e desmazelo com sua própria saúde e aparência. Neste caminho, observa-se que, apesar do acesso aos meios de tratamento e combate ao câncer de mama, ainda é grande o número de mulheres que morrem vitimadas por este mal, que pode ser extirpado se for detectado em seu início, sem a necessidade de ablação da (s) mama (s).

Na última década, as políticas públicas têm procurado mobilizar a população brasileira quanto à necessidade de inclusão participativa das mulheres, a partir da conscientização de sua importância na construção de um novo modelo de sociedade “livre, justa e solidária” (art. 3º, I, da Constituição vigente). Neste viés, inserem-se as ações práticas, efetivadas pelos órgãos públicos de acesso à moradia, ao trabalho, à saúde, ao saber tecnocientífico, etc, propiciando-lhes melhor qualidade de vida e à família.

Dentre as ações práticas, voltadas a estimular a detecção precoce do câncer de mama se encontra “o movimento popular OUTUBRO ROSA”, que é internacional, sendo que “[...] o rosa simboliza um alerta às mulheres para que façam o autoexame e, a partir dos 50 anos, a mamografia, diminuindo os riscos que aparecem nesta faixa etária”[4].

O marco sociopolítico do OUTUBRO ROSA é, sem dúvida, o princípio da solidariedade, conforme previsão constitucional, que pressupõe um compromisso conjunto de compartilhamento das necessidades e superação dos obstáculos comuns dos segmentos sociais envolvidos na prevenção e combate ao câncer de mama.

A dimensão das campanhas publicitárias e da conscientização das mulheres brasileiras para outras doenças, como o câncer do colo de útero, a tuberculose, a morbidade materno-infantil, a prática do abortamento clandestino etc, ainda não se pode computar, mas, certamente, se reflete na diminuição dos índices.

A saúde materno-infantil ainda oferece dados alarmantes, embora já se possam vislumbrar reflexos positivos na saúde do País, conforme se propõe no Documento “O Futuro que Queremos”, elaborado na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada de 20 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro[5].

Acrescentem-se às doenças, outros fatores de discriminação e crescente fragilização das mulheres e de suas filhas; dentre os quais a aceitação, pela ignorância e analfabetismo, de sua condição de aviltamento e indignidade, que séculos da cultura humana se incubiram de construir.

Há diversas formas de exclusão social praticadas contra as mulheres brasileiras, silenciosas, porém, agressivas, a exemplo do abandono moral a que muitas delas são relegadas quando assumem sozinhas a educação dos filhos e o sustento da família. Ao somarem as tarefas domésticas às seculares, colocam em segundo plano suas vidas e se tornam seres humanos desmotivados sob o peso de responsabilidades que deveriam ser divididas com o homem.

O cansaço físico e moral, aliado a um futuro sem perspectivas de mudanças, induz ao surgimento de inúmeras doenças, como a depressão e a síndrome do pânico e, até mesmo, o suicídio.

O empoderamento de mulheres e meninas passa, necessariamente, pelo resgate da saúde destas cidadãs, mediante a assistência oncológica, cirurgias e campanhas para a conscientização do público feminino de que o câncer de mama é um mal superável.





REFERÊNCIAS





[1] Advogada. Especialista em Filosofia do Direito (PUC-Pr). Mestre em Direito Público (UFPR). Professora aposentada da UFPr. Professora titular de Teoria do Direito (UNICURITIBA). Membro do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP). Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Membro da Comissão do Pacto Global (OAB-Pr). Membro da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica (ABMCJ-Pr). Membro do Movimento Nacional ODS (ONU, Pr). Membro da Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia- AVIPAF. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do UNICURITIBA. Escritora e poetisa, com vários prêmios em textos jurídicos e poéticos.
[2] PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, disponível www.pund.org.br
[3] Idem.
[4]Campanha OUTUBRO ROSA busca estimular detecção precoce do câncer de mama. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/saude/2013/10/campanha-outubro-rosa.
[5]ONU, Documento Final da Conferência Rio+20 – “O Futuro que Queremos”. Disponível em: www.onu.org.br
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30/09/2019

Em pauta: Direitos Humanos em Ação - O Projeto Sopão Curitiba

Crianças rezando abraçadas, para agradecer, antes de comer o "Sopão".



Quando falamos em “Direitos Humanos” ou, ainda, “Direito das Minorias”, muitos dizem concordar e defender. Porém, quantos realmente colaboram na proteção destes direitos?
De acordo com o último relatório divulgado pelo Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, no ano de 2018 foram mais de 889 denúncias de violações aos direitos das pessoas em situação de rua, incluindo as relativas à negligência e violências psicológicas, físicas e institucionais.
Diante dessa realidade, surge a egressa Larissa Isadora Ribeiro que, junto a um grupo de amigos, iniciou um projeto no inverno de 2018, visando acolher, justamente, esta parcela “invisível” da sociedade. Assim, nasceu o projeto “Sopão Curitiba”, em 8 de junho de 2018, uma noite em que os termômetros de Curitiba marcavam torno de 3ºC.
Semanas antes, ao se deparar com um rapaz encolhido em uma marquise estreita tentando se esconder da chuva, Larissa se sentiu incapaz por não conseguir ajuda-lo, já que havia deixado sua carteira em casa. Depois de chorar algumas horas, se deu conta de que isso não ajudaria aquele homem a comer. Então, mais tarde, preparou um sanduíche e levou para ele.
Não foi o suficiente. Ela permaneceu incomodada com a situação, porque, nas palavras dela: “fome não é algo que dá só uma vez”. No mesmo dia, em torno das 2h da manhã, criou um grupo no whatsapp com alguns amigos próximos falando que conseguiria fazer algumas marmitas para distribuir, mas que sozinha não daria conta. Na mesma semana, postou em um grupo de alunos do UNICURITIBA e no seu perfil pessoal, ambos no facebook. Para sua surpresa, muita gente se mobilizou para ajudar.
Na primeira entrega, a mãe de uma das voluntárias que preparou a refeição, foi canja. Foram preparadas 44 porções, fizemos um café, juntamos algumas roupas, meias e cobertores e fomos lá no Capanema. Já na primeira entrega eu ouvi pessoas que vivem nas ruas com tanto amor para dar ao próximo, que me constrangeu. Muitos deixaram de comer, para priorizar algum amigo com mais fome. Pegaram uma blusa só, ao invés de duas (mesmo com o frio) para que outra pessoa não ficasse sem. Muita gente com fé, e uma fé e amor incondicionais.
O sopão foi crescendo aos poucos, e eu acredito que isso se dá principalmente porque as pessoas perceberam o quanto a comida transforma. Transforma tanto quem recebe uma comida quentinha, temperada e preparada com amor - e muitas vezes questiona até “se merecem tudo isso”, quanto quem arrecada e prepara a comida, e recebe em troca um abraço e um sorriso que fazem tudo valer a pena. A gente aprende todo dia que a comida transforma MESMO. A gente tenta sempre fazer com que as pessoas se sintam amadas, sintam que ainda tem pelo que lutar, que ainda tem gente que acredita e torce por eles, que eles são alguém. E comida tem dessas, abraça a alma da gente.
            Assim, as 44 marmitas iniciais se transformaram em 250 distribuídas todos os sábados, acompanhadas de sobremesa, café quente, chás e sucos. 





Aliás, o projeto cresceu tanto que chegou à Ocupação Tiradentes, onde a líder comunitária “abriu as portas” da sede comunitária para, todos os dias, desenvolverem atividades pedagógicas com as crianças, e alfabetização de adultos, incentivando a educação e evitando que fiquem nas ruas. Para contribuir com a iniciativa de Carla (responsável por tocar esses projetos), Larissa e seus amigos passaram a fornecer, diariamente, os lanches para estas crianças e adultos, como forma de incentivar que continuem nas atividades e continuem buscando aprender coisas novas e ir atrás de seus sonhos. Como se não bastasse, alguns voluntários ainda dispõem um tempo dos seus dias para levar novas atividades para as crianças, como aulas de pintura e momentos de leituras.
A gente já teve algumas conquistas enormes, resultado do trabalho em equipe de todos do sopão. Conseguimos ajudar algumas pessoas a saírem das ruas, voltando para sua cidade, tendo oportunidades de emprego, recebendo tratamento em razão de dependências. Nessa semana uma das moças que conhecemos no sopão, moradora do Capanema, começou um curso de gastronomia que vai possibilitar que ela ingresse no mercado de trabalho. Já conseguimos entregar carrinho de reciclagem para algumas pessoas em situação de rua terem um meio de trabalho que gere uma renda maior, enfim.
Para o futuro, a ideia é ter um espaço só para o Sopão, não só para armazenar as doações, mas também para cultivar uma horta própria – reduzindo o desperdício de alimentos e promovendo uma alimentação mais saudável – e, eventualmente, receber os atendidos pelo projeto em um jantar ou café da manhã. Além disso, dar a possibilidade de eles tomarem banho e recuperar as forças para continuar nessa árdua rotina de quem vive nas ruas.
Sobre as histórias que mais a marcaram, Larissa nos contou que, positivamente, foi a Maria, moradora do Capanema e que sempre janta com o pessoal do projeto. Há alguns meses, a Maria disponibilizou sua casa para a realização de uma festa de aniversário para Otávio, filho de sua vizinha. Desde então, os voluntários conheceram o tamanho de sua bondade e, mesmo sendo nova, já enfrentou muitas dificuldades, mas sempre se doando um pouco para dos demais. Recentemente, o grupo conseguiu com que Maria iniciasse um curso de gastronomia, dando a oportunidade para que consiga um emprego e aumentar sua renda. Em mensagem à Larissa, ela disse: “Conserteza vai vou colocar uma placa no meu portão a entrada é franca e buffet é livre kkkkkk vem que eu tenho certificado kkkk [...] Não vejo a hora sabe daí quero fazer um almoço bem gostoso pra todos vc e depois quando eu poder e tiver condições quero ajudar com uma coisa ou outra pra vcs porém distribuir tbm” [sic]
Entretanto, os voluntários também se deparam com muitas histórias tristes. Dentre estas histórias, Larissa lembra de um rapaz que, ao receber a refeição, deixou ela ao lado dele, no chão, para conversar com a equipe. Um pouco depois, uma barata passou pela marmita e, ao ver a cena, avisaram que buscariam outra para ele. Nesse momento, ele riu e disse que já estava acostumado a dividir a comida com bichos e que “não tinha problema”, como se fosse normal o que eles vivenciam e como se fosse aquilo que merecem. Para ela, foi horrível ver que vivem nesta realidade e que passam a aceitar isso.
O sopão foi crescendo aos poucos, e eu acredito que isso se dá principalmente porque as pessoas perceberam o quanto a comida transforma. Transforma tanto quem recebe uma comida quentinha, temperada e preparada com amor - e muitas vezes questiona até “se merecem tudo isso”, quanto quem arrecada e prepara a comida, e recebe em troca um abraço e um sorriso que fazem tudo valer a pena. A gente aprende todo dia que a comida transforma MESMO. A gente tenta sempre fazer com que as pessoas se sintam amadas, sintam que ainda tem pelo que lutar, que ainda tem gente que acredita e torce por eles, que eles são alguém. E comida tem dessas, abraça a alma da gente.
[...] Eu aprendo todo santo dia com o sopão. Fiz amigos maravilhosos (tanto voluntários quanto atendidos) que me ensinam todo dia sobre amor ao próximo e empatia. E, como boa inquieta que sou, aprendo todo dia com as pessoas do sopão, uma frase que li uma vez: a gente não precisa de uma pessoa fazendo tudo perfeito, mas de todos juntos fazendo o melhor que podem.
         

Para saber mais sobre o projeto e/ou colaborar, basta acessar a página deles:

Facebook: Sopão Curitiba <https://www.facebook.com/sopaocuritiiba/>

Instagram: @sopao_curitiba <https://www.instagram.com/sopao_curitiba/>.

Vakinha para doações: <https://www.instagram.com/yah.br/>
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